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Dieta do tipo sanguíneo: uma análise científica

por Isabela Ramirez on abril 22, 2020

Dieta do tipo sanguíneo – veja o que comer e o que não comer

 

A dieta do tipo sanguíneo não é novidade; ela está por aí já faz quase duas décadas, e sempre foi muito popular.

 

Os defensores desse regime sugerem que o tipo sanguíneo determina como uma pessoa reage a certos alimentos, e por isso deve escolher aqueles adequados para sua saúde.

 

Tem muita gente por aí que jura ter sido salva por essa dieta, mas não sabe ao certo dizer porque.

 

Nós vamos dar uma olhada nas evidências científicas que apoiam – ou não – essa dieta tão peculiar.

 

Para começar, o que é a dieta do tipo sanguíneo?

 

A dieta do tipo sanguíneo foi popularizada pelo naturopata Peter D’Adamo, em 1996, através do seu livro, Eat Right 4 Your Type, no qual ele afirmava que a dieta ideal para qualquer indivíduo depende do seu tipo sanguíneo. Este livro foi um sucesso imediato, alcançando a lista de best-sellers do New York Times e vendendo milhões de cópias através dos anos.

 

De acordo com D’Adamo, cada tipo sanguíneo apresenta traços genéticos particulares, vindos dos nossos ancestrais, que determinam inclusive qual dieta nos trará mais saúde, seguindo os seguintes esquemas:

 

  • Tipo A: Chamado de cultivador. As pessoas do tipo A devem seguir uma dieta rica em plantas e sem nenhuma carne vermelha. É bem parecida com uma dieta vegetariana.

 

  • Tipo B: Chamado de nômade. Essas pessoas podem comer plantas e a maioria das carnes (exceto frango e porco), bem como alguns derivados do leite. No entanto, devem absolutamente evitar trigo, milho, lentilhas, tomates e alguns outros alimentos específicos.

 

  • Tipo AB: Chamado de enigma. É descrito como uma mistura dos tipo A e B. Pode comer frutos do mar, tofu, laticínios, feijões e grãos. Devem, contudo, evitar feijão, milho, carne vermelha e frango.

 

  • Tipo O: O chamado caçador. Segue uma dieta rica em proteínas, principalmente de carne vermelha, peixe, aves, certas frutas e legumes. Deve limitar os grãos, legumes e laticínios. Parece muito com uma dieta paleo.

 

Vale a pena apontar que qualquer um desses padrões alimentares já é bem melhor do que o padrão alimentar da maioria das pessoas, independentemente de qual tipo sanguíneo você tenha.

 

Isso porque todas essas dietas contam com alimentos saudáveis e não processados, o que já faz delas opções infinitamente superiores à dieta ocidental típica, rica em junk food.

 

Portanto, se você adotar a dieta indicada e se sentir melhor, no geral, talvez não tenha nada a ver com seu tipo sanguíneo, e sim com o fato da dieta ser mesmo mais saudável do que o que você comia antes.

 

Lectinas talvez sejam a resposta

 

Uma das principais teorias tentando explicar a dieta do tipo sanguíneo aposta nas proteínas chamadas lectinas, que são uma família de proteínas que podem ligar moléculas do açúcar.

 

Essas substâncias são consideradas antinutrientes, e podem ter efeitos negativos no revestimento do intestino.

 

De acordo com a teoria da dieta do tipo sanguíneo, existem muitas lectinas na dieta que visam especificamente tipos sanguíneos diferentes.

 

Alega-se que comer os tipos de errados de lectinas pode levar à aglutinação de glóbulos vermelhos.

 

E de fato, existem evidências de que uma pequena parte de lectinas em leguminosas cruas pode ter atividade aglutinadora para determinados tipos sanguíneos.

 

Por exemplo, o feijão cru pode interagir negativamente com os glóbulos vermelhos de pessoas do tipo A.

 

Mas, de maneira geral, parece que a reação das lectinas aglutinantes é universal, e acontece (na maioria dos casos) com todos os tipos sanguíneos.

 

Ou seja, as lectinas não são específicas do tipo sanguíneo, com exceção das já mencionadas variedades de leguminosas cruas.

 

E isso nem é tão relevante assim, já que a maioria das leguminosas vai ser cozida antes do consumo, o que destrói tais lectinas prejudiciais e previne qualquer problema.

 

Tá, mas quais as evidências científicas por trás da dieta do tipo sanguíneo?

 

Nas últimas décadas, a ciência passou a olhar mais profundamente para os tipos sanguíneos, e estudos sobre eles avançarem consideravelmente.

 

Atualmente, temos evidências de que certas doenças são mais prevalentes em certos tipos sanguíneos.

 

Por exemplo, pessoas do tipo O têm menor risco de doença cardíaca, mas maior risco de úlceras estomacais. No entanto, não há estudos provando que isso tenha qualquer relação com a dieta.

 

Em um grande estudo observacional com 1.455 jovens adultos, a ingestão de uma dieta tipo A (com muitas frutas e vegetais) foi associada a melhores indicadores de saúde. Mas esse efeito foi observado em todos os seguidores da dieta tipo A, não apenas aqueles cujo tipo sanguíneo era A.

 

Em uma análise de 2013, pesquisadores examinaram dados de mais de mil estudos, não encontrando sequer um estudo bem projetado que analisasse os efeitos da dieta do tipo sanguíneo.

 

Eles concluíram que, pelo menos atualmente, não existem evidências para confirmar os efeitos benéficos prometidos pelas dietas do tipo sanguíneo.

 

Dos 4 estudos encontrados que pelo menos falavam das dietas do tipo sanguíneo, nenhum foi bem projetado.

 

Um deles encontrou uma relação entre tipos sanguíneos e alergias alimentares que, na realidade, contradiz as recomendações feitas pela dieta.

 

Conclusão

 

Não é de surpreender que muita gente tenha resultados bons com essa dieta. Mas isso não tem nada a ver com o tipo sanguíneo.

 

Dietas diferentes funcionam para pessoas diferentes. Enquanto algumas se beneficiam de uma dieta rica em plantas e pobre em carnes (como a dieta do tipo A), outras prosperam muito mais comendo alimentos de origem animal (como a dieta do tipo O).

 

Se você testou a dieta do tipo sanguíneo e teve bons resultados, você pode simplesmente ter encontrado a dieta certa para o seu organismo. Provavelmente não tem nada a ver com o seu tipo sanguíneo.

 

Pode ser também que seja porque essa dieta remove quase todos os alimentos não saudáveis.

 

Dito isso, se você seguiu a dieta e ela funcionou, continue nesse caminho e não deixe que nosso artigo te desanime! Não mexa com time que está ganhando.

 

Agora… do ponto de vista científico, não existem muitas evidências apoiando a dieta do tipo sanguíneo.

Isabela Ramirez
NUTRICIONISTA/ Formada pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto em 2011